Grandes figuras que se retiravam no silêncio: de Simone Weil a Pierre Soulages

Elise
02/2026
4
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Aproveite um tempo de descanso em um local excepcional

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Longe do tumulto do mundo, algumas mentes brilhantes sentiram a necessidade vital de fazer silêncio, de se retirar, não para fugir da realidade, mas para enxergá-la melhor, compreendê-la ou transformá-la. Na tradição cristã, ou em suas fronteiras, grandes figuras do século XX escolheram o retiro espiritual como caminho de exigência interior. Aqui estão cinco personalidades para quem o silêncio, a solidão e o despojamento foram fontes de criação, de verdade e, às vezes, de graça.

Thomas Merton (1915–1968) – O monge do diálogo interior

Escritor, intelectual e monge trapista americano, Thomas Merton viveu a maior parte de sua vida na Abadia de Gethsemani, no Kentucky. Monge de clausura, adotou um modo de vida rigoroso: silêncio, oração, trabalho manual. Mas foi também um pensador engajado, que escreveu dezenas de livros sobre a contemplação, a não violência, a justiça e o diálogo entre religiões. Seu eremitério, onde viveu seus últimos anos, tornou-se o centro de sua busca: um lugar de despojamento total, onde se encontravam a solidão cristã e a abertura ao mundo. Seu retiro espiritual, longe de ser uma fuga do real, era um ponto de ancoragem para pensar a paz, o sagrado e a liberdade.

Para viver um retiro no espírito monástico de Merton, a Abadia Notre-Dame d'Aiguebelle oferece uma acolhida sóbria e silenciosa, enraizada na tradição beneditina.

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Simone Weil (1909–1943) – A ascese radical

Filósofa, mística e resistente, Simone Weil sempre colocou a experiência espiritual no centro de sua pesquisa intelectual. Inspirada pelo cristianismo, sem jamais ter sido batizada, adotou uma vida austera e solitária. Realizou vários retiros em abadias, especialmente entre os beneditinos, vivendo períodos de silêncio, oração e jejum. Via na pobreza voluntária e no apagamento de si mesma uma forma de acessar uma verdade superior. Para ela, o retiro não era um conforto, mas uma exigência espiritual, uma ascese para tornar-se digna da realidade. Seus escritos, de uma intensidade rara, revelam uma mente voltada para o absoluto.

Para aqueles que gostariam de viver uma experiência beneditina semelhante, a Abadia de Bouzy-la-Forêt, no coração do Loiret, acolhe hóspedes em um espírito de silêncio, oração e sobriedade inspirado na tradição monástica vivida por Simone Weil.

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Christian Bobin (1951–2022) – O poeta do invisível

Poeta e escritor francês, Christian Bobin é uma das vozes mais singulares da literatura contemporânea. Levava uma vida discreta e retirada em Saint-Étienne, mas se dirigia regularmente a abadias, como a de Tamié, para viver períodos de silêncio e contemplação. Sem ser monge, compartilhava com eles o gosto pelo pouco, pelo silêncio e pela luz tênue. Em seus textos, frequentemente curtos e luminosos, buscava nomear o invisível, o íntimo, a presença discreta do divino nas coisas ordinárias. Seu retiro era interior tanto quanto geográfico, feito de lentidão, de olhar e de atenção extrema.

Se você também sonha com um lugar simples, silencioso e inspirador, saiba que o chalet Notre-Dame des Refuges, a apenas 55 minutos da Abadia de Tamié, oferece um cenário ideal para um retiro a sós ou em silêncio, nas montanhas da Saboia.

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Pierre Soulages (1919–2022) – O pintor do sagrado sem dogma

Pintor de destaque na arte abstrata, Pierre Soulages é mundialmente reconhecido por seu trabalho com o negro-luz, que ele chamava de "outrenoir". Agnóstico declarado, manteve mesmo assim uma relação profunda com o sagrado. Na década de 1980, ele se hospedou longamente na abacial de Conques, onde concebeu e realizou os vitrais contemporâneos do lugar. Viveu ali uma forma de retiro artístico e espiritual, marcado pelo silêncio, pela lentidão e pela luz. Mesmo sem fé confessional, reconhecia no espaço monástico uma força contemplativa que não encontrava em nenhum outro lugar. Sua abordagem é a de um homem que busca a espiritualidade pela matéria e pela luz, numa aliança única entre arte e silêncio.

Se você também deseja viver uma experiência semelhante de silêncio e beleza nessa paisagem única, pode fazer um retiro na Abadia de Bonneval, situada nas proximidades de Conques, no coração do Aveyron.

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E para uma experiência à la Thoreau: silêncio e natureza profunda

Henry David Thoreau, filósofo americano do século XIX, se retirou para uma cabana à beira do lago Walden para viver dois anos em solidão, no meio da natureza. Não era um retiro religioso, mas uma busca pela verdade, pela lentidão e pela vida voluntária. Foi esse recolhimento que deu origem à sua obra Walden ou A vida nos bosques, hoje conhecida em todo o mundo. Atualmente, alguns lugares permitem reviver essa forma de simplicidade radical.

A Abadia Sainte-Marie de la Pierre-Qui-Vire, encravada nas florestas do Morvan, oferece retiros em um ambiente natural isolado, propício à caminhada, à meditação e à escrita. Uma bela forma de reencontrar o espírito de Walden.

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Conclusão: o silêncio como fonte

Monges, poetas, filósofos ou artistas… cada um deles escolheu, à sua maneira, o recolhimento temporário ou prolongado em lugares monásticos ou isolados. Seu ponto em comum: a necessidade de um espaço despojado, longe do ruído, para se confrontar consigo mesmo, com Deus ou com o invisível. Suas obras, perpassadas por essa experiência do silêncio, testemunham uma verdade simples, mas essencial: é muitas vezes ao se retirar do mundo que se pode compreender melhor a sua profundidade.

E se a próxima pessoa a viver essa experiência fosse você? Basta escolher um lugar, dar o primeiro passo e clicar aqui para descobrir uma abadia que vai receber você.

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