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No RITRIT, falamos frequentemente da Regra de São Bento, segundo a qual numerosos monges e monjas vivem sua vida pelo mundo. Sabe, o famoso slogan "Ora et Labora", o lema que divide a vida dos religiosos e das religiosas de forma equilibrada entre oração e trabalho?
Bom, então em 5 minutos cronometrados, vamos tentar explicar em algumas palavras quais foram suas origens, sua história e também o eco que ela encontrou no monaquismo ocidental há quase 1500 anos.

Na origem da Regra, um homem: Bento de Núrsia
Bento de Núrsia é às vezes chamado de "o Pai dos monges do Ocidente". Ele nasce na Itália central em 480 em uma família cristã da nobreza romana. O Império Romano do Ocidente havia deixado de existir em 476 e a Itália não era então mais do que um campo de batalha. Após uma passagem por Roma, o jovem Bento se retira na natureza e vive como eremita. Esta busca pela solidão foi também uma maneira de se aproximar melhor de Deus e de resistir ao chamado do mundo e suas mil tentações.
Em seu exílio, Bento encontra um monge: Romano. Os dois homens tornam-se amigos e Bento acaba seguindo o modo de vida dos anacoretas, uma forma de vida consagrada baseada na solidão. Solicitado por monges dos arredores, Bento torna-se abade e acaba fundando doze casas colocadas sob o patrocínio de um santo.
Em 529, Bento e seus companheiros deixam o lugar e se instalam no Monte Cassino, um antigo acampamento da Legião Romana. Lá, ele compõe a regra que leva seu nome: a Regula Benedicti (sim, vamos dar em versão original em latim). Ele morre ali em 547.

A pequena história da Regra de São Bento
A Regra de São Bento foi composta por volta de 530 a partir de regras anteriores, incluindo a regra do Mestre, redigida no início do século VI.
Por volta de 580, enquanto o norte da Itália era invadido pelos lombardos, o mosteiro de Monte Cassino foi destruído. Os monges da abadia então fugiram e se dirigiram a Roma. Esta circunstância contribuiu amplamente para difundir o conhecimento da Regra de São Bento.
Ela se generaliza a partir do século IX quando o imperador Luís, o Piedoso (778-840), filho de Carlos Magno, a impõe a todos os mosteiros de homens e de mulheres do Império por ocasião do Concílio de Aquisgrã em 817. Esta reforma era, dizem, necessária para unificar um monaquismo até então dividido entre regras concorrentes, e para estruturar a vida monástica, em uma época em que certos monges se entregavam ao comércio ou deixavam mulheres entrarem dentro da clausura.
A partir da época românica, ela se torna o documento fundamental da vida monástica, e serve de modelo a um grande número de ordens novas que a adotam ou se inspiram nela. Grandes mosteiros como Cluny, na Borgonha, vão seguir a Regra de São Bento. No entanto, é preciso aguardar o século XIII para que se estruture a Ordem Beneditina, à qual pertencem numerosas comunidades presentes no RITRIT.
Ao longo dos séculos, os monges vivendo sob a Regra de São Bento se destacaram no domínio da atividade intelectual e artística. As grandes abadias beneditinas da Idade Média contribuíram notavelmente para salvar o pensamento e a literatura antigas.

Os grandes princípios da Regra de São Bento
A Regra de São Bento descreve em 73 capítulos a vida prática e a vida espiritual dos monges ou das monjas. É uma regra de vida monástica, ou seja, um texto normativo ao qual se referem certas ordens monásticas como os beneditinos ou ainda os cistercienses.

A importância do trabalho manual na Regra de São Bento
"O ócio é inimigo da alma, e por isso os irmãos devem dedicar certos tempos ao trabalho das mãos e outros à leitura das coisas santas." (Regra de São Bento, capítulo 48).
A Regra de São Bento convida aquelas e aqueles que a seguem a consagrar uma parte não desprezível de seu tempo ao trabalho manual. Ele se desenvolve geralmente dentro da clausura do mosteiro, de maneira a evitar se dispersar fora dos muros.
Sua razão de ser e sua importância na vida monástica vêm do fato de que ele garante a autonomia econômica dos mosteiros e, ao mesmo tempo, desvia os monges de si mesmos para melhor deixá-los se concentrar no essencial.
Ao longo da história, viu-se às vezes as tarefas intelectuais tomarem a dianteira sobre o trabalho manual, à medida que a necessidade de adquirir uma vasta cultura religiosa se impôs. Foi o caso na Idade Média, quando os monges começaram a copiar os textos dos Antigos nos scriptoria, aliando trabalho manual e meditação. As congregações beneditinas foram assim o berço da erudição histórica para a Igreja.

Uma vida de oração e de contemplação
A vida dos monges e das monjas é ritmada pela liturgia das horas, ou seja, a celebração do que São Bento chama de ofício divino.
Em número de sete (e às vezes mais), os ofícios escandem o dia dos religiosos, desde as Vigílias (entre meia-noite e o nascer do dia) até as Completas (por volta das 21h, após o pôr do sol). Nesse intervalo, sucedem-se as Matinas, as Laudes, Prima, Terça, Sexta, Nona e Vésperas.
O objetivo? Consagrar a Deus os diferentes momentos do dia por orações e cantos. Além da clausura dos mosteiros, os ofícios, comunicados por badaladas de sinos, também ritmaram a vida dos leigos.
A importância do abade ou da abadessa à frente da comunidade
Monumento de vastas proporções, de arquitetura sólida, a Regra de São Bento coloca um abade à frente de cada mosteiro. Enquanto a regra do Mestre fazia o abade ser designado por seu predecessor, a de São Bento prevê a eleição do abade pela comunidade à frente da qual ele é colocado.
Segundo Bento, o abade deve também amar seus monges como se fossem seus filhos, e se fazer amar por eles. Do siríaco abba (não, não é o grupo musical sueco) significando "papai", o abade é o pai espiritual da comunidade.
Assim como dizem as irmãs beneditinas da Abadia de Jouarre:
« O abade é também aquele que atualiza sem cessar a Regra, adaptando-a à realidade das situações vividas, à história, aos talentos dos membros da comunidade… »

Uma vida de silêncio, humildade e benevolência
Se a Regra de São Bento permanece bastante exigente para quem a segue e a respeita, ela não deixa de ser humana. Pois, além da maneira como se organiza concretamente a vida dos monges, a Regra descreve as virtudes monásticas que são a obediência, a humildade e o espírito de silêncio.
Fora dos tempos de oração cantados coletivamente, a Regra concede uma importância muito grande ao silêncio, de maneira a se tornar disponível a Deus e aos outros. Assim, as refeições são feitas em silêncio, pelo menos ao único som da voz de um monge fazendo a leitura a seus irmãos e dos garfos que se entrechocam com os pratos em um barulho bastante divertido, confessemos.
Enfim, para avançar coletivamente, a vida comunitária necessita esforços coletivos e individuais (é a mesma coisa quando vivemos dividindo apartamento, onde as regras são necessárias, para evitar por exemplo de se encontrar com uma pilha de louça que vai até o teto!). Assim, Bento convida seus irmãos a não se julgar mutuamente, mas sim se ajudar mutuamente em toda caridade.
E quanto à Regra de São Bento hoje?
A Regra é um monumento que atravessou os séculos e que permite hoje aos monges viver uma vida comum segundo uma dinâmica onde cada um encontra os elementos necessários para progredir na conversão seguindo Cristo.
Hoje em dia, a Regra de São Bento é a mais seguida. Em numerosas abadias, ela é lida integralmente pelo menos três vezes por ano e comentada todas as noites por ocasião dos "capítulos" que precedem as completas.
O famoso capítulo 53 da Regra de São Bento: o sentido da acolhida!!
Um ponto essencial da Regra de São Bento está descrito no capítulo 53: a importância da acolhida para as comunidades monásticas (no RITRIT, é nossa preferida). Há duas frases-chave que adoramos repetir:
« Receber-se-á como o próprio Cristo todos os hóspedes que chegarem. Dar-se-á a cada um a honra que lhe é devida. »




